MEMORIAMEDIA

Exposições

 Tear ©Memória Imaterial

Portugal tem uma longa história e tradição relacionadas com a tecelagem e com os têxteis. “A introdução da tecelagem em Portugal dá-se no período da segunda neolitização, na chamada Revolução dos Produtos Secundários, que ocorreu durante o IV milénio a. C. A invenção do carro, do arado e do tear transformaram completamente as sociedades peninsulares, levando-as de pequenos habitats em vales, para povoados significativos e fortificados no alto de montes” (Neto, sd, pp.27).

Nas aldeias da região da Serra dos Candeeiros sabe-se que até há cerca de 100 anos a tecelagem era uma atividade artesanal muito praticada, em parte devido ao isolamento em que os seus habitantes viviam, à dificuldade em comprarem roupa já confecionada e também para aproveitamento dos recursos locais, sobretudo da lã das ovelhas, numa época em que  “(…) tudo era reutilizado, tudo tinha que se aproveitar” (Catarina Abreu).

Muitas das casas destes aldeões tinham um tear, e sobretudo as mulheres (embora também existissem homens tecelões) conjugavam as atividades agrícolas com a tecelagem - “(…) Fosse no interior ou no litoral, trata-se de uma realidade rural que passava de geração em geração, de mães para filhas. Era um tipo de trabalho que se acumulava para além da lida dos campos” (Neto, sd, pp 46). O tear era usado, sobretudo durante o Inverno, quando o trabalho nos campos era menos intenso, mas também à noite, durante todo o ano. Tradicionalmente eram tecidos tapetes, mantas e também panos para a confeção do próprio vestuário – “Na serra como havia muito frio…e os pastores…eles utilizavam muito aquelas roupas de lã para se protegerem do frio, e era preciso alguém que fizesse esse tipo de vestuário” (Catarina Abreu).

Tapetes de trapilho, resultantes da reutilização de tecido ©Memória Imaterial

Com o desenvolvimento das redes rodoviárias e meios de transportes, a introdução do vestuário industrializado e com a saída de muitos destes habitantes para as cidades, os teares foram ficando abandonados nas aldeias e a prática da tecelagem foi perdendo importância e praticantes.

O trabalho desenvolvido na oficina de tecelagem da cooperativa Terra Chã procura estabelecer uma ligação entre a inovação e as técnicas tradicionais de tratamento e tecelagem da lã, para tal usam novos desenhos e produzem peças mais apelativas para o público atual.

Neste momento, Catarina Abreu e Ana Carmo são as duas pessoas que dinamizam a oficina de tecelagem da cooperativa, produzindo vários tipos de peças, desenvolvendo ações de formação com entidades ligadas à tecelagem como o Museu de Lã da Covilhã, divulgando os produtos e os saberes em feiras e exposições e promovendo visitas e formações com as escolas da região.

Embora também sejam utilizados outros materiais como o trapilho (feito de roupas recicladas) ou a lã comprada no mercado (que tentam que seja sempre o mais natural e rústica possível) tentam privilegiar a lã recolhida na região.