MEMORIAMEDIA

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As artes de moleiro dependem, em grande parte, do conhecimento e manuseamento das várias peças e de elementos que fazem parte da azenha.

ADUFA – portinhola/pequena comporta que permite regular o fluxo e o trajeto da água na calha.

RODA HIDRAÚLICA – dispositivo circular construído em madeira, montado sobre um eixo, com várias cavidades. A roda que existe atualmente na azenha de Olho de Água foi construída em madeira de carvalho, e tem 24 cavidades, 12 a encher e 12 a vazar. O número de cavidades pode variar de acordo com o tamanho da roda, mas tem que ser sempre em número par, para que o movimento giratório seja equilibrado. Esta roda está ligada por um eixo a um rodízio com 72 dentes localizado no interior da azenha, que vai acionar o movimento das mós.

Adicionalmente, na parte interior do moinho, localizam-se a maioria das peças e instrumentos que fazem parte do processo de moagem dos cereais. Descrevemos alguns dos principais, desde o tegão, onde os cereais são depositados, até à tulha onde é guardada a farinha.

TEGÃO – depósito de madeira, onde são colocados os cereais em grão.

LAVADOURA E SECADORA – máquina que lava e seca o trigo. Atualmente esta máquina é elétrica, mas já foi movida a gasóleo. Antigamente o processo era manual, com recurso a alguidares para lavar o trigo, e a panos para secá-lo.

SOBRADO – piso mais alto dentro do moinho onde estão localizadas as moegas e as mós.

MOEGA - caixa de madeira, com a forma de pirâmide invertida, com capacidade para cerca de 80 kg de cereal. Encontra-se suspensa e ligada ao forro do telhado por arames. Na azenha de Olho de Água encontram-se atualmente três moegas que correspondem aos três pares de pedras/mós ali existentes.

MÓ – é cada uma do par/casal de pedras duras, redondas e planas com as quais se trituram os grãos de trigo, cevada, centeio e outros até os reduzirem a farinha. Nesta região, pela conversa que tivemos com este casal de moleiros, a pedra de cima é denominada de mó, e a pedra que fica por baixo tem o nome de pouso.[1] As mós têm características diferentes consoante o tipo de cereal a que se destinam. Em média, as mós dão cerca de 100, 120 voltas por minuto.

ALEVADOURA – sistema de peças para nivelar e elevar mós, a fim de regular a grossura da moenda (também conhecida por aleviadouro, aleviadoiro ou alevadouro).

CAMBERAIS – estrutura circular que envolve a mó, em forma de cinta, e que tem por função evitar que a farinha se espalhe pelo sobrado (usualmente referenciado como cambeiro).[2]

CHAMADOR – peça em madeira que regula a descida dos grãos dos cereais para a mó.

PENEIRA - espécie de caixa circular, com uma base de rede, que permite ‘filtrar’ a farinha, separando-a do carolo.

TULHA – arca onde se guarda a farinha.         


[1] Cadernos de Património Moinhos de Água e a Ribeira de Porto Longo in http://www.museumonteredondo.net/images/cadernos_pat/moinhosdeaguan6.pdf

[2] - Na literatura encontramos outras regiões em que a pedra de cima é denominada de andadeira ou corredoura. Ver: https://memmouriscas.blogs.sapo.pt/2148.html