A Colectividade e a quermesse
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A Festa de Verão
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39 anos na Colectividade
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A Colectividade e a quermesse
A Colectividade e a quermesse
António Marques
A Festa de Verão
A Festa de Verão
António Marques
39 anos na Colectividade
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António Marques
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Título: MEMÓRIAS e TRADIÇÕES - Alenquer
Nome: António Marques
Ano nascimento: 1949
Local do registo: Vila Verde dos Francos
Freguesia: Vila Verde dos Francos
Concelho: Alenquer
Data do registo vídeo: 8-6-2021

Entrevista e vídeo: Memória Imaterial
Transcrição: CLDS4G

Resumo: António Marques fala-nos sobre o que significa estar 39 anos à frente de uma Colectividade local. Descreve o trabalho do bar, as festas e a organização da quermesse.

A Coletividade e a Quermesse

“Eu sou um dos sócios fundadores da coletividade. A coletividade saiu no Diário da República a 15/03/1980, mas antes disso já a gente trabalhava [há] pelo menos 2 anos (pois em 78 e 79). Fazíamos festas (festas de verão) para angariar dinheiro para fazer as casas. Pronto, eu ajudava e nestes 2 anos (2/3 anos) até 80, eu ajudava tudo no que podia mas a partir de 80/81 eu (…) fazia a quermesse, eu e a minha mulher. 15 dias antes ou 1 mês antes das festas, agarrava no meu carro, eu a minha mulher e mais 2 raparigas novas corríamos as terras da freguesia a pedir. As pessoas davam coisas, davam dinheiro e íamos às vezes até às Caldas às fábricas de azulejos pedir loiças para a quermesse e então a gente pedia para a festa de Vila Verde dos Francos. Como nas Caldas há uma terra ao pé que é A-dos-Francos, as pessoas pensavam que era para A-dos-Francos e davam.

Havia uma casa [onde] a gente selecionava as coisas todas - o que era para a quermesse -  tudo dividido, e depois à noite íamos para lá marcar, … fazer as marcações das coisas e as raparigas, tudo novas, tudo ajudava. Umas faziam uns números, pôr as etiquetas (…). E eu é que arrumava as coisas dentro das cestas que era[m] depois para levar para a quermesse. Eu é que ficava encarregue das rifas, os papeis entregavam-se ao serviço do pessoal, que enrolavam as rifas (…). A minha mulher e eu é que fazíamos a lista lá em casa, enrolávamos as numeradas para depois fazer o pote. Cada mil rifas, conforme contávamos os prémios, cujos prémios era uma percentagem por x rifas. Mil rifas podia calhar 100 prémios, podia calhar tudo misturado (…). Montava-se a quermesse, fazia-se a quermesse era assim, tive uma “macheia” de anos que eu tive com a quermesse. E antes do café da coletividade, a festa aqui ao sábado à noite - sábado para domingo (…) aquilo era na rua, tapado com eucaliptos. Eu ficava lá de noite, ficava de noite a guardar as coisas. Só ia-me deitar quando vinha o pessoal para vir pedir, para fazer o peditório com a banda."

 

A Festa de Verão

"Era[m] os conjuntos, às vezes havia também o jogo, os almoços. Havia o almoço todos os anos que era à segunda-feira depois passou [para o] Sábado. Fazia o jogo de futebol de solteiros e casados e pronto era de noite o conjunto (…). O almoço à segunda-feira e ao sábado à tarde o rancho atuava e entretinha-se o pessoal ali (…). Eu assava frangos, eu assava os frangos - às vezes [chegava a] assar 80 frangos, eu e mais 2 - 4 fogareiros assavam os frangos para o almoço do dia que era, … pronto às vezes era cento e tal pessoas a almoçar (…). Era regra sempre todos os anos - era frango assado e era feijoada. Isto era o prato tradicional da festa."

 

39 Anos na Coletividade

“O edifício que está hoje foi o primeiro bar – (…) só abria ao domingo à tarde, que era lá em baixo ao pé da minha casa. (…). Ia lá de vez em quando para angariar para a coletividade. Depois tivemos outra casa mais pequenina aqui frente à outra, tivemos uma "macheia" de anos, para angariar dinheiro para fazer as instalações que temos hoje. Graças a deus a coletividade não deve (que eu saiba) não deve nada a ninguém e tem algum pé de meia (pouco) mas tem. (…)

Ora a coletividade tem 41 anos, só não tive lá 2 anos, tive lá 39 - fora os outros (…) que fazia lá serviços. Abria, sexta-feira, sábado e ao domingo era a escala que fazia, [de]pois começou a fraquejar, atão como eu tava reformado, vinha abrir ao meio-dia e fechava às 3, pronto não abria mais. (…) Era eu, o tesoureiro que era o Serafim, era o Sérgio (…) e o Fanhanha  (erámos 4 pessoas) (…) Era terça, quarta, quinta e sexta, os 4 (…). A gente abria ao meio dia até às 3 e depois fechávamos o café.

Trabalhei lá muito e não me arrependo nada, o dia que eu gostava mais era a segunda-feira da festa (assar os frangos para aquele pessoal todo). (…) Depois da parte da tarde esquecia-me da festa, depois de almoço sentava-me lá para casa a dormir."